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A visão torna o mundo uma janela, mas percebemos que há outras dimensões igualmente fulcrais do olhar. A começar pela dimensão da reflexividade: o nosso corpo, que olha todas as coisas, pode também olhar-se, ele é ao mesmo tempo, vidente e visível.
(Tolentino Mendonça) 

Role a página e saiba mais sobre a visão!

OLHO HUMANO: a super máquina

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      A visão é um sentido do corpo humano que se dá através de um órgão gerador: o olho. Este, se assemelha a uma câmara fotográfica no que diz respeito ao seu funcionamento, de forma a focar a luz sobre a retina, através da utilização da lente e da abertura da pupila, que por sua vez pode variar para que haja o controle da luz que adentra o olho. Dessa forma, a visão se trata da transformação da luz refletida pelos objetos externamente, em uma imagem mental (AMARAL, 2009).

      O processo pelo qual se dá a visão pode ser traduzido de tal forma: a luz adentra o olho e focaliza na retina, onde ficam os fotorreceptores ou células fotossensíveis (sensíveis a luz e a cor). Estas células convertem a energia luminosa em sinais elétricos que são conduzidos ao cérebro por meio do nervo óptico, onde os sinais elétricos são processados, formando a sensação ou imagem visual (AMARAL, 2009).

São dois os principais tipos de fotorreceptores presentes no olho: os bastonetes e os cones.

  • Os bastonetes estão concentrados na parte periférica da retina e são sensíveis a presença de pouca luz. Não distinguem cores, há não ser tons de cinza que vão do branco ao preto, sendo, então, os encarregados pela visão noturna. Existem, por volta, de 130 milhões de bastonetes, fazendo-se assim, mais abundantes que os cones;

  • Os cones concentram-se no fundo da retina, mais especificamente na fóvea central e são os responsáveis pela acuidade visual, além da percepção das cores e do espaço durante a luz do dia, pois só funcionam com uma maior quantidade de iluminação. Eles são cerca de 6 a 7 milhões, sendo, como já visto, menos numerosos que os bastonetes.

 

        

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Anatomia do olho humano. Ilustração: BlueRingMedia/Shutterstock.com [adaptado]

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        Portanto, a percepção diferenciada produzida por intermédio dos bastonetes e cones presentes na retina, funcionam como uma dupla visão, uma com a presença de luz em abastança e outra em pequena quantidade (AMARAL, 2009).

        Os bastonetes e os cones possuem, ainda, pigmentos visuais que são a porção sensível à luz. Os bastonetes possuem apenas um tipo de pigmento visual, conhecido como rodopsina. Já os cones possuem três diferentes tipos de pigmentos: o vermelho, o verde e o azul.

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Teste para daltonismo. Ilustração: terapialamibutawarna.blogspot.com.

UM POUCO SOBRE O DALTONISMO...

        O Daltonismo consiste em um distúrbio causado por um defeito em um ou mais dos três tipos de cones, provocando uma dificuldade em diferenciar algumas ou todas as cores. Este problema pode se manifestar de duas formas: a congênita, quando a pessoa já nasce com esse tipo de disfunção na retina; e a adquirida, quando ela surge por causa secundárias, por exemplo, através de lesões no nervo óptico. O caso mais comumente conhecido de daltonismo é o de vermelho-verde, que ocorre quando há a dificuldade de distinção entre o vermelho e o verde.

O Método fenomenológico e a dinâmica da visão

        Na fenomenologia, a percepção não consiste no estabelecimento da consciência constituinte às coisas, tampouco um conjunto de respostas às estimulações sensíveis dos objetos ao sujeito, mas sim um encontro do sujeito com o mundo – o sujeito é ser-no-mundo, ou seja, não há mundo sem sujeito e nem sujeito sem mundo. Nesse sentido, a realidade não se constrói a partir da soma de respostas do sujeito a estímulos orientados pelos objetos, pois “a realidade (...) emerge da intencionalidade da consciência voltada para o fenômeno" (BICUDO, 1994 apud DETONI, 2001). Dessa forma, a dimensão existencial é necessária para tornar possível tanto a fisiologia dos estímulos-respostas, quanto a intelecção de mundo – “enquanto sou no mundo, ele se manifesta em minhas experiências” (MERLEAU-PONTY, 1971 apud DETONI, 2001).

     Merleau-Ponty (1971) já dizia que as coisas oferecem as suas faces e que ele as percebe sob diversos pontos de vista – espaciais e temporais. Apesar disso, “há uma tendência de se considerar o objeto expresso em uma linguagem gráfica como momento do objetivo, e os símbolos dessa expressão como equivalente aos caracteres objetivos da coisa que se expressa”, fato que é uma atitude natural mas que rompe com o engajamento do ser-no-mundo, já que leva à uma separação das coisas de suas manifestações fenomênicas:

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Isso significa que o Eu e suas experiências subjetivas são assumidas como coisas em si, como parte do mundo. E o mundo é representado por imagens ou por signos, representação essa considerada tão mais correta quanto mais se adequar ao que representa (BICUDO, 1999 apud DETONI, 2001)

Esse fato, portanto, é referido com uma naturalidade que pode ser explicada por meio da “perceptividade visual dos objetos e da tradução do espaço visual e suas dimensões em elementos linguísticos de natureza geométrica” (DETONI, 2001). Desse modo, Merleau-Ponty distingue o ato do ver natural do ver perceptivo, pois “segundo a sua concepção de percepção fundada no corpo-próprio: eu vejo por uma estrutura objeto-horizonte, isto é, ao me pôr perceptivamente numa situação, meus olhos percorrem todo o campo e, ao me envolver, meu olhar engajado se detém num fragmento da paisagem, que se anima; os outros objetos são deslocados para a margem, mas não deixam de estar lá, como horizontes possíveis. Só vejo um objeto porque os outros se escondem para que eu o veja. É minha percepção em envolvimento que efetiva o visível e o invisível, e "o horizonte é logo o que assegura a unidade do objeto no decurso da exploração" (MERLEAU-PONTY, 1971 apud DETONI, 2001).

Enfim, "ver é entrar num universo de seres que se mostram, e não se mostrariam se não pudessem se esconder uns atrás dos outros ou atrás de mim" (MP, 1971, p. 81), diz a Fenomenologia, contra a acepção da visão como ato fisiológico que exterioriza um objeto entre os demais (DETONI, 2001).

Aprenda sobre as práticas integrativas e complementares atreladas à visão

CROMOTERAPIA

Conhecimento da ação e função terapêutica da cor, ou seja, é o uso da luz para a cura mental, psicológica e espiritualmente.

CROMOTERAPIA

Telúrica, Baby do Brasil

Que esses raios de ouro cor

Penetrem nos meus chacras me

Colorindo de amor

Vejo o mar e penso em ti

Mandes prana para mim

Que esse espelho, luz fulgor

Penetre nos meus chacras

Numa onda de amor

Fecho os olhos entrego o ser

Para ser telúrica

Alma e corpo compreender

Para ser telúrica [...]

A ideia ilumina

Dá o toque e anima [...]

O lume do vagalume

O pensamento das flores

Significado das cores

Para ser telúrica

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E com essa letra poética de Baby do Brasil, vamos falar sobre cromoterapia!

 

     A todo momento estamos em contato com as cores, elas fazem parte da vida e, sem elas, o mundo seria diferente. Cromoterapia é o conhecimento da ação e função terapêutica da cor, ou seja, é o uso da luz para curar, mental, psicológica e espiritualmente. A utilização das cores para fins de cura é um processo não agressivo sobre o organismo, não é maléfica, não causa efeitos colaterais e não atua como agente de pressão sobre o corpo. A cromoterapia atua diretamente na base da doença, procurando restaurar o equilíbrio entre as energias vibratórias do corpo (BOCANNERA & BARBOSA, 2006).

         A cor amarela, por exemplo, influencia o sistema nervoso simpático e parassimpático, aumenta a pressão arterial, pulsação e respiração, tal como o vermelho, embora de forma menos estável. A cor azul é de todas as cores, a mais tranquilizadora. Faz com que o cérebro secrete onze hormônios neurotransmissores que possuem ação tranquilizante. Esses hormônios são sinais químicos que podem atuar acalmando todo o corpo. O verde é uma cor fria, aliviando e acalmando tanto física quanto mentalmente. O verde atua sobre o sistema nervoso simpático, além de aliviar a tensão dos vasos sanguíneos e diminuir a pressão arterial (BOCANNERA & BARBOSA, 2006).

 

MÉTODOS MAIS CONHECIDOS DE CROMOTERAPIA 

        Os métodos mais conhecidos de tratamento com a cromoterapia são os banhos de luz; mas há outros eficientes. Existem cores de pigmento ou cores de luzes, estas originadas de corpos de luz própria, como o sol ou lâmpadas coloridas. No cuidado o processo de expressão estética das cores pode ser através da mente, das lâmpadas coloridas, da dieta, da água solarizada, da luz solar, nas vestimentas e no ambiente através da decoração (BOCANENERA & BARBOSA, 2006). 

 

COMO A CROMOTERAPIA PODE AUXILIAR NA CURA DE DOENÇAS? 

          O olho humano tem aproximadamente 137 milhões de fotorreceptores que são os cones e bastonetes, e eles transmutam a luz em impulsos elétricos, até o tálamo por meio de via aferentes. Uma vez no tálamo, os efeitos da informação eletroquímica contidas nessas trajetórias neurossensíveis causam uma reação neurotransmissora, tendo como consequência um aumento da ação de neurotransmissores, como acetil-colina, noradrenalina e dopamina, que podem ter ação de excitação ou inibição. Algumas cores específicas do espectro visível podem ativar ou bloquear processos do complexo fisiológico, biológico e bioquímico do cérebro humano, como a síntese de vários neurohormônios (SANTIAGO; DUARTE; MACEDO, 2009). A utilização adequada das cores pode estimular o fluxo de energia curativa potencial do ser humano (BOCANENERA & BARBOSA, 2006).

        Para a ansiedade, por exemplo, recomenda-se o contato óptico com a luz azul por cinco minutos na região frontal. Para a cólica intestinal, menstrual e renal, recomenda-se aplicar a luz verde por um minuto, laranja por cinco minutos e azul por dez minutos na região, duas vezes ao dia. Para a depressão, recomenda-se aplicar luz amarela por cinco minutos, e laranja por cinco minutos na região cardíaca frontal e por toda a cabeça, bem como recomenda-se muito contato óptico com o laranja e o amarelo (VALVAPELLI, 2005).

VOCÊ SABIA?

 

          Os egípcios usavam o poder de cura do sol e construíram templos repletos de cores e luz para os doentes. Os Incas no México, também adoravam o sol. A mitologia compreende a luz do espectro solar como fonte de longevidade, saúde e cura. Usado de forma adequada, hoje o sol se constitui em um elemento que complementa a prevenção e cura das doenças, sendo assim reconhecido como meio terapêutico. As pessoas sentem grande prazer com a cor e o olho necessita da cor tanto quanto da luz (BOCANENERA & BARBOSA, 2006).

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Arteterapia

    A arteterapia pode ser conceituada de várias formas, podendo ser considerada um processo terapêutico que utiliza diversas modalidades expressivas, em que as criações representam níveis profundos e inconscientes da psique. Neste caso, a arte significa um processo expressivo, não havendo preocupações com técnicas e estéticas, já que somente a possibilidade de expressão, comunicação, resgate e ampliação de possibilidades criativas são privilegiadas (PHILIPPINI, 1998). 

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          Assim, o universo que domina a arteterapia é o da sensorialidade e da materialidade que envolve a arte visual (como a pintura, escultura, desenho, modelagem, colagem, tecelagem), passando pela sonora, literária, dramática e até mesmo a corporal (mímica, dança e expressão corporal) havendo, entretanto, um maior enfoque para as artes visuais. Além disso, para facilitar o processo arteterapêutico, pode-se estimular a consciência corporal, relaxamento de tensões, respirações mais lentas e profundas, além de providenciar rebaixar as funções de vigília para, então, permitir o acesso livre às camadas do inconsciente (PHILIPPINI, 1998). Sendo assim, para a Associação de Arteterapia do Estado de São Paulo (AATESP):

A arteterapia insere-se dentro de um contexto de exploração criativa e valorização do sensível, viabilizado por meio da utilização dos recursos artístico-expressivos. (...) a arteterapia caracteriza-se por possibilitar que qualquer um entre em contato com seu próprio universo interno, com aqueles que estão à sua volta e com o mundo. À medida que a emergência da expressão se mostra cada vez mais indispensável, tanto mais o sentido da vida torna-se evidente e, conseqüentemente, o despertar do desejo de como aprender a lidar com os problemas, com os medos, com as deficiências, de modo a tornar os pensamentos e os atos mais consonantes com o viver pleno. (AATESP, 2009)  

       Desse modo, segundo a Associação Americana de Arteterapia (AATA), a arteterapia é um modo de enriquecer a qualidade de vida das pessoas, podendo ser utilizada dentro de um contexto em que há uma relação profissional com pessoas que vivenciam processos de adoecimentos, traumas ou dificuldades de lidar com determinadas situações da vida, assim como pode ser um meio de ajudar as pessoas a alcançar um determinado desenvolvimento pessoal. “Por meio do criar em arte e do refletir sobre os processos e trabalhos artísticos resultantes, pessoas podem ampliar o conhecimento de si e dos outros, aumentar sua autoestima, lidar melhor com sintomas, stress e experiências traumáticas, desenvolver recursos físicos, cognitivos e emocionais e desfrutar do prazer vitalizador do fazer artístico” (AATA, 2003).

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         O reconhecimento efetivo dessa prática data de apenas alguns anos, com destaque para o seu uso na psicologia. Dentro dessa área, ela se divide em três principais eixos teóricos e metodológicos (REIS, 2014), que são:

  • A arteterapia psicanalítica, na qual a atividade artística configura-se como projeção do inconsciente; 

  • A arteterapiajunguiana, que gira em torno da expressão do “self”; 

  • E a arteterapiagestáltica, em que a arte serve como contato na autopercepção. 

Constelação Familiar

       A Constelação familiar é uma terapia criada pelo alemão Bert Hellinger que busca compreender o comportamento de grupos familiares ao passar das gerações. Para isso, há a reconstrução de árvores genealógicas, onde pode-se perceber que, muitas vezes, alguns sintomas físicos e mentais que uma pessoa possui podem ter sido influenciados por familiares de outras gerações que já estiveram expostos aos mesmos problemas, mesmo que não tenha havido contato entre os envolvidos (MARQUES, 2017).

        Segundo José Roberto Marques (2017), nesse método, há comportamentos que são repetidos ao longo das descendências, mesmo que inconscientemente. O criador da constelação traz, então, que existe uma ‘”consciência de clã” em todas as pessoas, que por sua vez, é direcionada por “ordens arcaicas” ou “ordens do amor”“, influenciando desde a vida individual até os sistemas familiares. Tais ordens são:

  1. Lei do pertencimento: está ligada a necessidade que o indivíduo tem, por natureza, de ser parte de um grupo ou clã. De modo que quando a pessoa nasce, ela sente a premência de ser integrado a um sistema familiar ou institucional, sendo notado e valorizado nesse meio. Nesse contexto, existe um grande problema, porque quando a pessoa é segregada ou ignorada, acaba por sofrer a “dor dos excluídos”, podendo acarretar em problemas nas gerações que virão. Sendo assim, “a solução para solucionar o conflito seria integrar novamente à família a pessoa que foi excluída” (DÁVILA, 2018);

  2. Lei da hierarquia: diante do pertencimento no sistema familiar, o indivíduo possui ainda uma posição nesse âmbito, que, segundo Hellinger deve respeitar a ordem de gerações. Dessa forma, os pais têm uma posição dentro da hierarquia maior que a dos filhos, e para além disso, os relacionamentos antecedentes vividos por estes influenciam diretamente na vida de cada cônjuge. Algumas vezes os filhos acabam ocupando os lugares do pais em uma família, o que diante da posição hierárquica de cada um, não pode acontecer, acarretando em comportamentos, como por exemplo, a infantilização dos pais e a sobrecarga dos filhos (DÁVILA, 2018);

  3. Lei do equilíbrio: diz respeito a precisão de haver o equilíbrio entre dar e receber dentro do relacionamento familiar, haja vista que muitos dos estremecimentos advêm daí. Nesse ínterim, considerando um relacionamento afetivo, o desequilíbrio pode fazer com que a pessoa que mais se doou sem receber nada em troca busque outros parceiros e a que recebeu demais seja condicionada a uma situação de dependência do par (DÁVILA, 2018).

     

       Nesse ínterim, a Constelação Familiar atua a partir dessas leis que compõem as “Ordens do amor”, as quais estão presentes no contexto de toda família, graças ao campo morfogenético e por isso, mesmo diante do reconhecimento dessas ordens, todas as pessoas são afetadas por elas (DÁVILA, 2018). É importante salientar ainda que os benefícios da Constelação Familiar são inúmeros, como pode ser observado na imagem abaixo:

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Referências Bibliográficas

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